Capítulo 1
Vou andando pela rua.
Há um grande buraco na calçada.
Caio.
Estou perdido... Não sei o que fazer.
Não é culpa minha.
Demoro séculos em sair.
Capítulo 2
Caminho pela mesma rua.
Há um grande buraco na calçada.
Faço de contas que não o vejo.
Volto a cair.
Não posso crer que haja caído no mesmo lugar.
Mas não é culpa minha.
Levo bastante tempo em sair.
Capítulo 3
Ando pela mesma rua.
Há um grande buraco na calçada.
Está ali.
Caio... é uma rotina, mas tenho os olhos bem abertos.
Sei onde estou.
É culpa minha.
Saio rapidamente.
Capítulo 4
Vou pela mesma rua.
Há um grande buraco na calçada.
Me esquivo.
Capítulo 5
Vou por outra rua.
(Autor: Nelson Portia - Introdución al Pensamiento Sistêmico)
segunda-feira, 5 de julho de 2010
terça-feira, 22 de junho de 2010
Reflexões - Reencontro
Sentada olhando o mar perdi-me em pensamentos, em sensações. Ali, tudo parou: meu passado, meus problemas, minhas contas, minha pressa...
Ali, sentada, sentindo o cheiro de "pepino do mar", a brisa fresca trazendo a areia, suavizando o calor dos raios do sol em meu corpo. Eu e aquele tudo, tão grande e infinito; eu e aquele nada, de ser somente esse infinito.
Num instante lembrei de minha existência e a vi em algum lugar, quem sabe suspensa aguardando o meu retorno.
Onde a deixei? Nas cabeças de todos que um dia souberam de vultos de mim? No espaço do meu mundo, dentro dos meus endereços? Num sonho que tive e pensei ser real? No coração do universo sob a régide do Criador?
Era estranho pensar que eu saira da minha existência. Ali, sentada, não havia mais nada a fazer, apenas viver. Como o céu, como o mar, como as pedras, a areia, deixando que o ritmo da vida embale a sua melodia.
Vi homens, mulheres e crianças com vestes simples, pés no chão e em seus rostos as marcas de um outro mundo. Parecem viver com o que eu não vivo e morrer pelo que não morro. Senti-me ter entrado em alguma dimensão desconhecida e já não sabia se iria retornar para minha velha conhecida existência. Uma sensação de prazer e de alegria saiu de minha alma, havia lembrado da minha liberdade de ir e vir, de ser e não ser e ser qualquer coisa!
Quem sabe o mundo também não tenha parado, ou quem sabe prosseguido sem se dar conta de mim?
Eu estava ali, e isso simplesmente, era o que importava.
Ali, sentada, sentindo o cheiro de "pepino do mar", a brisa fresca trazendo a areia, suavizando o calor dos raios do sol em meu corpo. Eu e aquele tudo, tão grande e infinito; eu e aquele nada, de ser somente esse infinito.
Num instante lembrei de minha existência e a vi em algum lugar, quem sabe suspensa aguardando o meu retorno.
Onde a deixei? Nas cabeças de todos que um dia souberam de vultos de mim? No espaço do meu mundo, dentro dos meus endereços? Num sonho que tive e pensei ser real? No coração do universo sob a régide do Criador?
Era estranho pensar que eu saira da minha existência. Ali, sentada, não havia mais nada a fazer, apenas viver. Como o céu, como o mar, como as pedras, a areia, deixando que o ritmo da vida embale a sua melodia.
Vi homens, mulheres e crianças com vestes simples, pés no chão e em seus rostos as marcas de um outro mundo. Parecem viver com o que eu não vivo e morrer pelo que não morro. Senti-me ter entrado em alguma dimensão desconhecida e já não sabia se iria retornar para minha velha conhecida existência. Uma sensação de prazer e de alegria saiu de minha alma, havia lembrado da minha liberdade de ir e vir, de ser e não ser e ser qualquer coisa!
Quem sabe o mundo também não tenha parado, ou quem sabe prosseguido sem se dar conta de mim?
Eu estava ali, e isso simplesmente, era o que importava.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
História dos Africanos
Existe uma história deliciosa sobre um homem que explorava a África. Ele estava tremendamente apressado, em uma viagem pela selva. Contava com três ou quatro africanos que o ajudavam a transportar o seu equipamento. Durante três dias, eles corrreram adiante a toda velocidade. No final do terceiro dia, os africanos sentaram-se e não se mexeram. Ele os incitou a se levantarem, falando-lhes da urgência em que se achava de chegar a seu destino antes de uma determinada data. Os africanos recusaram-se a se mexer. Ele não conseguia compreender isso. Após muita persuassão, eles ainda se recusavam a se mexer. Por fim, ele conseguiu que um dos africanos confessasse o motivo. Disse ele: "Andamos depressa demais para chegar até aqui. Agora precisamos esperar, para dar chance aos nossos espíritos de nos alcançarem."
Conceder tempo a si mesmo é um exercício simples, mas um exercício reflexivo vital. Permitir que a desprezada presença da alma venha encontrar-nos e envolver-nos novamente pode ser uma encantadora reaproximação com o mistério esquecido.
(do livro: "Anam Cara" de John O`Donohue)
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